Durante o julgamento da Ação Penal 2670, que apura suposto desvio de recursos de emendas parlamentares envolvendo os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), um detalhe curioso chamou atenção. A advogada de defesa de Josimar afirmou que o pagamento de R$ 10 mil a um dos investigados não teria relação com corrupção, mas sim com a compra de sêmen de gado, ligado às atividades agropecuárias do parlamentar.

"O valor de dez mil reais pago por Josimar Maranhãozinho não se refere a qualquer vantagem indevida. Trata-se de uma transação privada, ligada à sua atividade agropecuária, especificamente a compra de sêmen de gado" disse a defesa.

Durante o julgamento no STF, o ministro Flávio Dino reagiu com firmeza à justificativa apresentada pela defesa de Josimar Maranhãozinho, que alegou que o pagamento de R$ 10 mil seria referente à compra de sêmen bovino. Dino cobrou provas concretas da transação:

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"Cadê o documento da aquisição e do transporte desse sêmen? Não há nenhum comprovante da Guia de Trânsito Animal (GTA). Isso não é argumento jurídico, é uma alegação sem respaldo" - disse Dino.

Resumo dos argumentos:

  • Acusação (PGR):

    • Deputados teriam direcionado recursos de emendas parlamentares para beneficiar aliados.

    • Há registros de pagamentos suspeitos que indicariam desvio de dinheiro público.

    • O esquema envolveria intermediários e empresas ligadas aos parlamentares.

  • Defesa:

    • Os valores apontados não configuram propina, mas transações privadas legítimas.

    • O pagamento de R$ 10 mil seria referente à compra de insumos agropecuários (sêmen bovino).

    • Não há provas diretas de que os parlamentares tenham se beneficiado de desvios.

O julgamento segue em andamento na Primeira Turma do STF e deve definir se os parlamentares serão condenados ou absolvidos. A menção à compra de sêmen de gado acabou se tornando um dos pontos mais comentados da sessão, destacando a estratégia da defesa em tentar descaracterizar os indícios de corrupção.