Uma dupla de irmãos gêmeos presos em março deste ano, identificados como Wander e Wanderson Israel Batista Carvalho, de 35 anos, proprietários de uma loja de vendas de armas e munições no Setor Mercadinho de Imperatriz, ganharam repercussão nacional neste domingo (06), na Folha de S. Paulo, acusados de fazerem parte de uma quadrilha que movimentaram cerca de R$ 15 milhões com vendas de arma e munições, usando empresas em nome de laranjas.

Segundo a reportagem, o vendedor de frutas e verduras em um carrinho de mão, Clayton Batista da Silva, de 45 anos, tinha duas empresas em seu nome sem o conhecimento dele até março deste ano, onde foram movimentados cerca de R$ 3,5 milhões em vendas de armas e munições em cinco anos. Clayton afirmou que só tomou conhecimento quando a Polícia Civil e o Ministério Público do Maranhão deflagraram operação contra organização criminosa e ele foi um dos alvos da operação.

Na lista dos supostos laranjas está ainda a faxineira Francisca Maria Gomes de Morais, de 61 anos, que tem um salário estimado em R$ 300 mensais, a empresa em nome comprou mais de R$ 15 milhões em produtos controlados (armas, munições e acessórios de caça), entre 2018 e 2020, com a empresa Cangaço Materiais para Caça que fica na Rua Paraíba no Setor Mercadinho. Segundo depoimento à Polícia, Francisca tinha conhecimento de tudo, inclusive ela tentou fugir de casa ao perceber a chegada de equipes da polícia e do Ministério Público e teria pulado o muro dos fundos para esconder documentos e celulares na casa do vizinho -que avisou as autoridades e o material acabou apreendido.

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O grupo, segundo aponta investigação iniciada em 2019, seria supostamente liderado pelos irmãos gêmeos com a participação de um sargento do Exército e de um representante regional da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos). O suposto esquema segundo as investigações, oito empresas (sendo sete de munição) abertas em nome de laranjas para aquisição de armas e munições de forma legal, inclusive junto à CBC, dona da Taurus, que acabavam repassadas ao mercado clandestino.

O material, comercializado a preço bem mais alto que o praticado, chegava aos pontos de venda de ao menos três estados, Maranhão, Piauí e Pará em caminhões com fundo falso, formando, segundo polícia e Ministério Público, um dos maiores comércios ilegais de armas de fogo e munições do país.