Uma clínica odontológica de Imperatriz chamou a atenção dos investigadores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) durante a Operação Faenerator, deflagrada nesta terça-feira (15). Segundo os dados analisados pelo Ministério Público do Maranhão, a empresa declarou faturamento médio de aproximadamente R$ 13 mil por mês, mas movimentou R$ 143,8 milhões entre 2019 e 2024.

A diferença entre os valores declarados e a movimentação financeira identificada foi considerada incompatível com a atividade econômica informada pela empresa e passou a integrar a investigação. O MPMA apura um possível esquema de agiotagem, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a Administração Pública.

R$ 143,8 milhões movimentados

O número chama atenção pelo tamanho da movimentação registrada em uma empresa que declarou faturamento médio mensal de R$ 13 mil.

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Entre 2019 e 2024, a clínica movimentou R$ 143,8 milhões em suas contas, de acordo com os elementos reunidos pelo GAECO.

O dado, porém, não significa que os R$ 143,8 milhões sejam necessariamente faturamento da clínica. O valor corresponde à movimentação financeira identificada pelos investigadores e é justamente essa circulação de recursos que está sendo analisada na operação.

Clínica aparece em investigação sobre núcleo financeiro

A Faenerator é resultado do aprofundamento de informações obtidas em operações anteriores, entre elas Regalo, Timoneiro e Pavimentum.

De acordo com o MPMA, a investigação atual mira um suposto núcleo financeiro que teria fornecido dinheiro para empresários e empresas ligadas a contratos e obras públicas de Imperatriz.

Os investigadores apontam que a estrutura teria atuação desde pelo menos 2017.

Empréstimos com juros de até 4% ao mês

Segundo a investigação, empresários procuravam o grupo para conseguir dinheiro para manter atividades e contratos.

Os valores seriam emprestados com juros de 3,5% a 4% ao mês, além de encargos em caso de atraso. Cheques e notas promissórias eram utilizados nas operações e, conforme o MPMA, permaneciam fora do sistema bancário.

A investigação também identificou diferentes formas de movimentação dos recursos, incluindo PIX, transferências bancárias, depósitos fracionados, saques em espécie, contas de passagem e utilização de pessoas interpostas.

Dinheiro teria sido convertido em patrimônio

Ainda segundo o Ministério Público, parte dos recursos investigados teria sido utilizada na compra e revenda de bens de alto valor.

Entre os patrimônios citados estão carros de luxo, veículos pesados, aeronaves, helicópteros, embarcações e propriedades rurais.

A Justiça autorizou o bloqueio e a indisponibilidade de até R$ 621.455.220 em bens e valores relacionados aos investigados. A medida inclui recursos financeiros, imóveis, veículos, aeronaves e embarcações.

Investigação ainda está em andamento

Os mandados da Operação Faenerator foram cumpridos em Imperatriz, João Lisboa e Buritirana, em residências, empresas e propriedades rurais relacionadas aos investigados. Equipamentos eletrônicos também foram apreendidos para análise.

O GAECO ainda trabalha no levantamento dos bens encontrados e na análise dos documentos e dados recolhidos durante as buscas.

O caso da clínica odontológica é um dos elementos financeiros utilizados na investigação para demonstrar movimentações consideradas incompatíveis com as atividades declaradas.