A decisão do deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) de devolver os cargos ocupados pelo partido no Governo do Maranhão repercutiu imediatamente entre as lideranças do grupo governista. Questionado sobre o movimento, o secretário de Assuntos Municipalistas e pré-candidato ao Governo do Estado, Orleans Brandão (MDB), adotou um tom de tranquilidade e afirmou que, na política, "cada um procura seu time".

A declaração foi dada um dia após a saída dos indicados do Progressistas da estrutura estadual, movimento interpretado nos bastidores como o mais forte sinal de rompimento político entre Fufuca e o governador Carlos Brandão (MDB).

"Faz parte da política. Cada um vai procurando o seu time, onde acha que vai estar melhor colocado" - declarou Orleans ao comentar a decisão do presidente estadual do PP.

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Apesar da saída de um dos principais aliados do governo, Orleans afirmou que tem recebido manifestações de apoio de lideranças políticas em todo o Maranhão e tentou demonstrar confiança na manutenção da base governista.

"Estou feliz porque estou recebendo muito apoio. Desde ontem, meu celular não para de tocar de pessoas dizendo: estou contigo, estou contigo, estou contigo" - afirmou.

Segundo ele, o apoio recebido não estaria restrito apenas aos partidos políticos, mas também a prefeitos, vice-prefeitos e lideranças municipais que acompanham o projeto político liderado pelo governador Carlos Brandão.

Veja o vídeo de Orleans:

Clima de disputa antecipada

A fala de Orleans demonstra que o grupo governista já trabalha com a possibilidade de perder aliados importantes ao longo da construção da chapa de 2026.

Ao mesmo tempo em que minimizou a saída de Fufuca, o secretário procurou transmitir a mensagem de que a base continua sólida e que o projeto político liderado por Brandão permanece competitivo.

A frase "cada um procura seu time" acabou resumindo o momento vivido pela política maranhense: com a sucessão estadual cada vez mais próxima, lideranças começam a definir seus posicionamentos e reorganizar alianças para uma das disputas mais importantes dos últimos anos no estado.

Orleans também sinalizou que pretende intensificar as conversas partidárias até o período das convenções e afirmou acreditar que a maior parte das legendas atualmente alinhadas ao governo permanecerá no grupo.

"Vou conversar com todos os partidos que estão na base aliada. Acredito que a maioria deles vai continuar aqui, os prefeitos irão continuar aqui, porque já estão acreditando não só no projeto que o Brandão começou, mas principalmente acreditando no que eu estou falando" - declarou.

Pedro Lucas entra na discussão

Um dos trechos que mais chamaram atenção na fala do secretário foi a referência direta ao deputado federal Pedro Lucas Fernandes, principal liderança do União Brasil no Maranhão.

Segundo Orleans, ele recebeu uma ligação do parlamentar logo após a repercussão da saída do PP da estrutura estadual.

“Já recebi uma ligação do deputado federal Pedro Lucas que disse que o União Brasil não sai daqui de jeito nenhum”, afirmou.

A declaração é relevante porque a Federação União Progressista reúne justamente União Brasil e Progressistas, partidos que oficialmente integram a mesma estrutura partidária nacional.

Nos bastidores, a avaliação é que o posicionamento de Pedro Lucas busca demonstrar que a saída de Fufuca não representa automaticamente o rompimento de toda a federação com o grupo governista.

Movimento fortalece especulações sobre Braide

A devolução dos cargos pelo Progressistas foi interpretada por analistas políticos como um gesto de independência de Fufuca em relação ao Palácio dos Leões.

Sem participação direta na estrutura administrativa do governo, o deputado ganha liberdade para construir alianças alternativas para as eleições de 2026.

O principal nome citado nos bastidores é o do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), apontado por pesquisas recentes como um dos favoritos na disputa pelo Governo do Maranhão.

Embora Fufuca ainda não tenha anunciado apoio formal a qualquer pré-candidato, a saída da estrutura estadual foi vista como um indicativo de que a Federação União Progressista poderá seguir um caminho diferente daquele defendido pelo governador Carlos Brandão.