O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) instaurou uma investigação para apurar o aumento de 159% no número de mortes registradas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital da Criança, em São Luís. A apuração ocorre após denúncias de possíveis falhas na assistência prestada aos pacientes, incluindo redução das equipes médicas, falta de especialistas em pediatria e problemas no atendimento.

Segundo a investigação, 113 crianças morreram no hospital em 2025, sendo 101 óbitos registrados nas três UTIs da unidade. Em 2024, haviam sido contabilizadas 39 mortes nesses setores, o que representa um aumento de 159%, conforme os dados que motivaram a atuação do Ministério Público.

As denúncias foram encaminhadas à Ouvidoria-Geral do Sistema Único de Saúde (SUS) e também relatam supostos casos de negligência, imperícia médica, sobrecarga de profissionais e escalas insuficientes para atender à demanda de pacientes pediátricos. Familiares de crianças atendidas na unidade também apontam demora na realização de exames, falta de medicamentos e dificuldades no acompanhamento clínico.

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Diante da gravidade das denúncias, o Ministério da Saúde enviou nesta terça-feira (14) uma equipe técnica do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) para realizar uma auditoria no Hospital da Criança. Os auditores analisam a estrutura física das UTIs, a disponibilidade de medicamentos e insumos, o dimensionamento das equipes médicas e de enfermagem, além dos protocolos assistenciais adotados pela unidade. A expectativa é que um relatório técnico seja concluído após a inspeção.

Em nota, a Prefeitura de São Luís informou que não há desabastecimento generalizado de medicamentos ou materiais hospitalares e afirmou que eventuais reposições fazem parte da rotina da rede municipal de saúde. A administração também contestou os números apresentados nas denúncias, sustentando que os registros oficiais apontam aumento de aproximadamente 4,5% no total de óbitos entre 2024 e 2025, e não de 159%, atribuindo a divergência a diferenças nas bases de dados utilizadas.

O Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) acompanha o caso e poderá adotar providências caso sejam confirmadas irregularidades. O Ministério Público Federal (MPF) também recebeu informações sobre a situação e avalia possíveis medidas no âmbito federal.

A investigação do MP-MA e a auditoria do Ministério da Saúde devem apontar se houve falhas estruturais, administrativas ou assistenciais que contribuíram para o aumento dos óbitos e se serão necessárias medidas para corrigir problemas na unidade, considerada referência em atendimento pediátrico para pacientes da capital e do interior do Maranhão.