Beto Castro (Avante) foi eleito nesta quinta-feira (1º) presidente da Câmara Municipal de São Luís para o biênio 2027-2028. O vereador recebeu 21 votos, em uma eleição de chapa única, e assumirá o comando do Legislativo municipal a partir de janeiro do próximo ano.

A eleição, porém, acontece em um momento particularmente delicado da trajetória política do parlamentar. Beto Castro é réu em uma ação penal decorrente da Operação Benedictio, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Maranhão foi recebida pela Justiça em julho deste ano. Com isso, o vereador passou formalmente à condição de réu no processo.

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Acusações envolvem recursos de emendas

Segundo o Ministério Público, a investigação apura um suposto esquema envolvendo aproximadamente R$ 9,6 milhões em recursos públicos destinados ao Instituto Sê Tu Uma Bênção por meio de emendas parlamentares e convênios.

Na denúncia, Beto Castro é apontado como integrante do chamado núcleo político da organização investigada.

O MPMA sustenta que agentes políticos teriam direcionado recursos públicos para a entidade e recebido vantagens indevidas relacionadas ao dinheiro. As acusações ainda serão submetidas ao contraditório e à ampla defesa durante o processo.

Dinheiro e arma foram encontrados

A Operação Benedictio foi deflagrada em 15 de junho de 2026. Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam mais de R$ 315 mil em espécie na residência de Beto Castro, além de uma arma de fogo.

O vereador chegou a ser preso em flagrante em razão da arma encontrada no imóvel. Posteriormente, obteve liberdade mediante medidas cautelares.

No conjunto da operação, o Ministério Público informou a apreensão de aproximadamente R$ 2,14 milhões em dinheiro e bens, além de bloqueios judiciais relacionados aos investigados.

De investigado a presidente da Câmara

O intervalo entre a operação e a eleição para a Presidência da Câmara chama atenção.

Pouco mais de três meses depois de ter sido alvo de uma operação do Gaeco e enquanto responde como réu a uma ação penal, Beto Castro foi escolhido pelos vereadores presentes para comandar o Legislativo de São Luís.

A condição de réu, entretanto, não significa condenação. O processo ainda está em andamento e o vereador tem direito à ampla defesa e ao contraditório. Até o momento, não há condenação definitiva pelos crimes apontados na denúncia.

A situação, contudo, coloca a futura gestão da Câmara sob forte escrutínio público, especialmente porque entre as atribuições da Presidência está a condução administrativa e política do Poder Legislativo municipal.

Eleição ocorreu em meio a disputa

A votação também foi marcada por uma disputa em torno da própria eleição da Mesa Diretora. O processo foi questionado judicialmente, mas uma decisão manteve a realização da votação nesta quinta-feira.

Beto Castro concorreu em chapa única e recebeu os 21 votos dos vereadores presentes. Dez parlamentares não participaram da sessão.

A nova Mesa Diretora assumirá oficialmente em 1º de janeiro de 2027.

O que diz a defesa

A defesa de Beto Castro sustenta que o vereador é inocente das acusações e deverá exercer seu direito de defesa no curso da ação penal.

O processo ainda será analisado pela Justiça, que deverá decidir, ao final da instrução, se as acusações apresentadas pelo Ministério Público serão ou não confirmadas.