A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Monte Sinai, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Maranhão. Entre os municípios alcançados pela operação está Colinas, cidade natal e um dos principais redutos políticos do governador Carlos Brandão.

Ao todo, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. As medidas também atingiram endereços em São Luís, Presidente Dutra e São Félix de Balsas.

A investigação apura possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares, contratos de obras públicas e recursos destinados à educação, além de suspeitas de fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

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Colinas chama atenção pelo peso político

A presença de Colinas entre os municípios investigados dá à operação uma dimensão política que vai além dos aspectos policiais.

A cidade é a terra natal de Carlos Brandão e representa uma das principais bases eleitorais do grupo político comandado pelo governador no Maranhão.

A operação, no entanto, não aponta Brandão como investigado ou alvo das medidas judiciais. A referência ao governador se dá pelo peso político de Colinas e pela importância do município em sua trajetória.

Recursos da educação estão no radar

Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, a Polícia Federal também apura o possível uso irregular de recursos do Fundef e do Fundeb em contratos de obras de infraestrutura.

Os recursos possuem destinação específica para a educação, e a investigação busca esclarecer se houve desvio de finalidade e eventual direcionamento de valores públicos para contratos que não estariam de acordo com as regras legais.

Além disso, a PF investiga a aplicação de recursos provenientes de emendas parlamentares em contratos públicos.

Emendas parlamentares também são investigadas

Entre os recursos analisados estão valores relacionados a emendas de autoria do deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA).

A presença dessas emendas na investigação, contudo, não significa que o parlamentar seja alvo da operação desta quinta-feira. Até o momento, ele não aparece entre os alvos dos mandados cumpridos pela Polícia Federal.

A apuração busca identificar o caminho percorrido pelos recursos, os contratos firmados e possíveis beneficiários do esquema.

Operação é autorizada pelo STF

A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal e conta com a participação da Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria-Geral da União (CGU).

As medidas determinadas pela Justiça têm como objetivo reunir documentos e outros elementos que possam esclarecer a atuação dos investigados e dimensionar eventual prejuízo causado aos cofres públicos.

A partir do material apreendido, os investigadores deverão aprofundar a análise dos contratos, movimentações financeiras e relações entre empresas e agentes públicos.