A Polícia Federal teria identificado um pagamento de R$ 100 mil destinado ao jornalista maranhense Luís Pablo para uma operação de monitoramento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e de familiares durante a passagem deles pelo Maranhão.

A informação foi divulgada com base em apuração da própria Polícia Federal nesta terça-feira (11). Segundo os dados apresentados, o dinheiro teria sido encaminhado ao blogueiro por meio de uma terceira pessoa por ordem do ex-secretário do governador Carlos Brandão (MDB), Raimundo Cutrim que seria utilizado para estruturar uma ação de acompanhamento dos deslocamentos da família de Dino, além da produção e divulgação de conteúdo nas redes sociais.

De acordo com a investigação, a suspeita levada pela Polícia Federal ao Supremo é de que Luís Pablo teria filmado, fotografado e divulgado o trajeto realizado pela família do ministro no Maranhão. O inquérito busca esclarecer se esse monitoramento fazia parte de uma ação coordenada, com financiamento específico para a produção de conteúdo contra o magistrado e seus familiares.

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Operação teve múltiplos alvos no Maranhão

A investigação da Polícia Federal aponta que a operação realizada nesta terça-feira teve múltiplos alvos no Maranhão e que todo o procedimento tramita sob sigilo.

Um dos alvos, segundo a apuração, foi do ex-secretário de Estado, Raimundo Cutrim que já havia sido investigado anteriormente e colocado em prisão domiciliar depois que policiais encontraram fuzis e munições em sua residência.

Ainda conforme o relato, Cutrim que cumpre prisão domiciliar com tornozeleira voltou a ser alvo da Polícia Federal na operação desta terça-feira.

A suspeita apresentada pela PF ao Supremo teria sido encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a investigação, o Ministério Público Federal considerou fundamentados os elementos apresentados e deu respaldo à realização das medidas.

R$ 100 mil e suposta operação de monitoramento

Durante a apuração, foi afirmado que a Polícia Federal teria encontrado o rastro financeiro dos R$ 100 mil que, segundo a investigação, tinham como destino as mãos do blogueiro por intermédio de uma terceira pessoa.

A hipótese investigada seria de que o recurso teria sido utilizado para montar uma estrutura de monitoramento de Flávio Dino e sua família e para produzir conteúdo que, na avaliação dos investigadores, poderia alimentar uma campanha de desinformação contra o ministro.

O caso ganha relevância porque Flávio Dino ocupa uma cadeira no STF e é responsável pela relatoria de processos de grande repercussão envolvendo recursos públicos e emendas parlamentares, inclusive investigações relacionadas ao chamado orçamento secreto.

Sigilo das fontes

Outro ponto abordado na investigação foi a alegação de que a operação poderia colocar em risco o sigilo das fontes jornalísticas de Luís Pablo.

Segundo a apuração, a garantia apresentada pela PGR é de que o direito ao sigilo das fontes continua protegido e que a investigação não teria como objetivo simplesmente descobrir quem fornece informações ao jornalista.

Luís Pablo já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes em março deste ano, em investigação relacionada a publicações sobre Flávio Dino e sua família. Na ocasião, foram apreendidos aparelhos eletrônicos utilizados pelo jornalista. O caso tramita sob sigilo.

A medida provocou reação de entidades ligadas à imprensa, que manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre o exercício do jornalismo e o sigilo das fontes.

Até o momento, contudo, as informações sobre os R$ 100 mil fazem parte de uma investigação em andamento da Polícia Federal e foram apresentadas como suspeita. Não há, portanto, condenação ou decisão judicial definitiva que estabeleça a responsabilidade de Luís Pablo pelos fatos investigados.

O procedimento permanece sob sigilo e novas informações devem depender do avanço das investigações.