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A robótica educacional está ampliando as possibilidades de aprendizagem de jovens, adultos e idosos que frequentam a Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Imperatriz. A iniciativa da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), já chegou a sete escolas da rede municipal e busca reduzir as barreiras que ainda dificultam o acesso de parte dos estudantes às ferramentas digitais.
A proposta considera as experiências e os conhecimentos prévios dos alunos para trabalhar tecnologia de maneira prática, relacionando as atividades desenvolvidas em sala de aula a situações do cotidiano. O objetivo é estimular o pensamento computacional, fortalecer a autonomia e mostrar que o aprendizado tecnológico também pode fazer parte da trajetória de quem não teve oportunidade de estudar na idade convencional.
As unidades contempladas são as escolas municipais Frei Manoel Procópio, Paulo Freire, Maria das Neves Marques de Sousa, Eliza Nunes, Tia Emília, Presidente Costa e Silva e Dolores de Carvalho.
Atividades vão além da montagem de robôs
As aulas são realizadas no próprio turno dos estudantes e envolvem duas modalidades: a robótica plugada, que utiliza computadores, tablets, softwares e kits eletrônicos, e a desplugada, que trabalha conceitos de lógica e programação sem depender de telas ou equipamentos eletrônicos.
Na prática, os alunos são estimulados a compreender sequências de instruções, organizar informações e buscar soluções para desafios. A proposta procura transformar conceitos tecnológicos em experiências acessíveis, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada turma.
Para o secretário municipal de Educação, Magno Ribeiro, a iniciativa tem como um de seus principais objetivos promover inclusão e cidadania.
"Ver um senhor ou uma senhora conseguindo programar um robô ou mandar um e-mail pela primeira vez muda a chave de como a pessoa se enxerga no mundo" - afirmou.
Atividade com e-mail revelou dificuldade de acesso digital
Uma das experiências relatadas pelo professor Shesman Renato, da Escola Municipal Maria das Neves Marques de Sousa, mostrou o tamanho do desafio da inclusão digital entre os estudantes.
Ao avaliar os conhecimentos da turma, o educador constatou que apenas cerca de 10% dos alunos sabiam o que era um e-mail ou já haviam enviado e recebido mensagens pela ferramenta.
A partir desse diagnóstico, os estudantes foram divididos em grupos para realizar pesquisas, registrar informações por meio de fotografias e encaminhar os arquivos por e-mail a outra equipe. Os integrantes que recebiam as mensagens precisavam repassá-las aos colegas e confirmar o recebimento.
A atividade transformou uma ferramenta digital em um exercício prático de comunicação, organização e trabalho em equipe. Segundo o professor, a participação dos alunos demonstrou o potencial de atividades contextualizadas para estimular o interesse pela tecnologia.
Robótica também reforça conteúdos escolares
O projeto integra conhecimentos de diferentes áreas e permite trabalhar conteúdos curriculares por meio de situações concretas.
Na matemática, os alunos podem utilizar cálculos de ângulos e giros para programar os movimentos de robôs e determinar distâncias. Em ciências e física, as atividades ajudam a explorar o funcionamento de engrenagens, polias e sensores, além de conceitos como velocidade e gravidade.
A programação também exige interpretação de comandos, organização de etapas e raciocínio lógico. O contato com interfaces dos equipamentos pode contribuir para a familiarização com termos em inglês, enquanto a leitura de instruções mobiliza habilidades de língua portuguesa.
De acordo com James Bonfim, coordenador de Ciências e Tecnologia da Semed, o trabalho segue uma proposta alinhada às orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a área de Computação.
Inclusão tecnológica na educação de jovens e adultos
A chegada da robótica às escolas da EJA amplia o contato dos estudantes com recursos que fazem parte da vida cotidiana e de diferentes ambientes profissionais. Para quem teve acesso limitado à tecnologia, aprender a utilizar ferramentas digitais pode representar um passo importante para a autonomia.
A iniciativa também procura fortalecer a autoestima e o sentimento de pertencimento de jovens, adultos e idosos, demonstrando que a aprendizagem tecnológica não está restrita a uma faixa etária.
Com sete unidades atendidas, o projeto amplia as experiências educacionais oferecidas pela rede municipal. O alcance futuro da iniciativa dependerá da continuidade das atividades e das oportunidades de aprendizagem disponibilizadas aos estudantes.
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