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Aos 71 anos, Conceição de Maria Sousa Soares realizou um sonho que carregou durante boa parte da vida: tornou-se professora. A conquista veio depois de uma trajetória marcada por desafios, retorno aos estudos e, já durante a graduação em Pedagogia, pelo diagnóstico de Alzheimer.
Moradora de Imperatriz e estudante da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Conceição recebeu o diploma durante a cerimônia de colação de grau realizada nos dias 19 e 20 de agosto, em Imperatriz. Ela esteve entre os 124 formandos do Centro de Ciências de Imperatriz que receberam a outorga de grau em diferentes cursos.
A formatura encerrou uma caminhada que ganhou um significado ainda maior diante das dificuldades provocadas pela doença. Segundo a UFMA, Conceição concluiu o curso enfrentando os desafios relacionados à memória e contando com o acompanhamento de professores, colegas e familiares.
Um sonho que atravessou décadas
O desejo de estudar e se tornar professora não nasceu na universidade. A história de Conceição começou muito antes, ainda no Piauí, onde nasceu na zona rural de Amarante.
Sua trajetória escolar foi marcada por interrupções e pela alfabetização tardia. Anos depois, já adulta, ela retomou os estudos e decidiu investir na formação superior.
Foi assim que chegou ao curso de Pedagogia da UFMA, em Imperatriz.
O caminho, entretanto, ganhou uma dificuldade inesperada. Durante a graduação, Conceição recebeu o diagnóstico de Alzheimer e passou a enfrentar problemas principalmente relacionados à memória recente.
Em vez de abandonar o curso, encontrou maneiras de adaptar a rotina acadêmica.
Cadernos para não deixar a memória escapar
Uma das principais estratégias utilizadas por Conceição foi simples, mas fundamental: escrever.
Ela passou a utilizar cadernos para registrar datas, compromissos, orientações dos professores e outras informações importantes da rotina universitária. As anotações ajudavam a compensar as dificuldades provocadas pela perda de memória recente.
O método acabou se tornando parte da própria trajetória acadêmica.
Além do apoio dos professores e colegas, a família também participou diretamente do processo. Uma neuropsicopedagoga foi contratada para acompanhar Conceição e auxiliar na organização das narrativas utilizadas no trabalho de conclusão de curso.
O professor José Edilmar de Sousa foi o orientador da estudante. No sistema acadêmico da UFMA, consta o registro do trabalho de Conceição, apresentado em julho de 2026.
A própria vida virou tema do TCC
A história pessoal de Conceição acabou se transformando em pesquisa.
O Trabalho de Conclusão de Curso recebeu o título “Relatos e Memórias da Escolarização de uma Mulher Piauiense” e foi desenvolvido no formato de um portfólio de experiências. No trabalho, ela reuniu lembranças da infância, da trajetória escolar, da mudança da família para o Maranhão e da própria caminhada acadêmica.
Parte das experiências foi narrada oralmente e posteriormente transcrita. Dessa maneira, as memórias de Conceição, justamente aquilo que passou a ser afetado pelo Alzheimer, também se transformaram em registro de sua história.
A apresentação do TCC ocorreu antes da colação de grau e marcou outra etapa importante da caminhada até o diploma.
O diploma chegou
Na cerimônia de formatura, a emoção tomou conta de Conceição.
Depois de anos de estudo, dificuldades e adaptações, ela finalmente pôde comemorar a conclusão da graduação.
"Terminei o curso. Estou muito feliz. Quero dar aula e ser professora" - disse Conceição durante a colação, segundo a UFMA.
A frase resume o tamanho da conquista.
Publicado por:
Willamy Figueira/Editor-chefe
Willamy nasceu em Imperatriz, tem 43 anos, é jornalista com DRT-MA 2298, publicitário e redator-chefe do Jornal Imperatriz.
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