Uma disputa judicial envolvendo uma página do Instagram que fazia críticas a Orleans Brandão avançou para uma etapa que pode revelar quem estava por trás do perfil. A Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados vinculados à conta @opoder.online, após uma ação apresentada pelo MDB para identificar o responsável pelas publicações.

A informação é de uma reportagem exclusiva do O Observador Maranhense, publicada nesta terça-feira (1º). Segundo o veículo, o partido alegou que a página vinha divulgando propaganda eleitoral antecipada de caráter negativo contra Orleans, inclusive com a utilização de conteúdo manipulado.

Vídeo com montagem do rosto de Orleans

O caso começou em fevereiro, quando o perfil publicou um vídeo em tom de sátira contra Orleans Brandão. Na montagem, o rosto do candidato aparece sobre o corpo de um boneco, enquanto uma narração o chama de “Bebezão do Brandão, o xodó do Titio”.

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O MDB pediu à Justiça a retirada do conteúdo, mas o pedido não foi acolhido inicialmente. A decisão, entretanto, determinou que a Meta fornecesse informações disponíveis sobre a conta, entre elas dados cadastrais, endereço de e-mail e registros de IP.

Entre os dados obtidos pelo partido estava também um número de telefone associado ao perfil. A partir dessas informações, o MDB pediu novas diligências para tentar chegar à identidade do administrador da página.

Justiça determina quebra de sigilo

Em 23 de abril, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão autorizou a quebra do sigilo relacionado ao titular da linha telefônica vinculada à conta.

Posteriormente, em 3 de junho, uma nova decisão determinou que a operadora apresentasse informações capazes de identificar o titular da linha, incluindo nome, CPF ou CNPJ, endereço, e-mail e data de ativação.

A medida não significa, por si só, que a identidade do responsável pela página já tenha sido oficialmente confirmada. O objetivo das diligências é justamente cruzar os dados obtidos e chegar ao responsável pela administração do perfil.

MDB já havia apontado um responsável

Um dos pontos que mais chamam atenção no caso, segundo a reportagem exclusiva do O Observador Maranhense, é que o MDB apresentou uma segunda representação eleitoral enquanto o procedimento para obtenção dos dados da página ainda estava em andamento.

Nessa nova ação, o partido já apontava uma pessoa como responsável pelo perfil e questionava outro vídeo publicado contra Orleans.

A Justiça Eleitoral determinou a retirada do conteúdo e aplicou multa de R$ 10 mil ao responsável apontado na representação.

O episódio levanta uma questão: se o partido ainda aguardava informações da operadora para identificar formalmente o responsável pela conta, como chegou ao nome apresentado na segunda representação?

A resposta para essa questão pode ajudar a esclarecer a sequência dos acontecimentos e a forma como o responsável pelo perfil teria sido identificado.

Página muda o alvo das críticas

A reportagem também aponta uma mudança no conteúdo publicado pelo perfil.

Segundo o levantamento do O Observador Maranhense, depois de concentrar críticas em Orleans Brandão e integrantes de seu grupo político, a página passou a direcionar suas publicações principalmente contra Eduardo Braide.

A mudança ganhou destaque porque, antes disso, o mesmo perfil teria publicado conteúdos favoráveis ao prefeito de São Luís. Em uma das publicações citadas pela reportagem, Braide chegou a ser descrito como “um dos maiores fenômenos políticos do Brasil”.

O caso ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026 no Maranhão, marcada pelo aumento da presença de conteúdos políticos nas redes sociais e também pela judicialização de publicações consideradas ofensivas ou irregulares.