O Maranhão registrou um crescimento expressivo no número de pessoas desaparecidas em 2025 e aparece entre os estados que mais preocupam no país. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgados nesta quinta-feira (23), mostram que foram contabilizados 1.182 registros de desaparecimento no estado, contra 910 ocorrências em 2024, o que representa um aumento de 29,8%.

Com esse percentual, o Maranhão ocupa a segunda posição nacional entre os estados com maior crescimento nos casos de desaparecimento, ficando atrás apenas de Minas Gerais, que registrou alta de 30,5%. O Piauí aparece na terceira colocação, com aumento de 20,5%.

Os números reforçam o alerta para a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à prevenção, investigação e localização de pessoas desaparecidas, além da ampliação do suporte às famílias que enfrentam a angústia da espera por notícias.

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Caso dos irmãos de Bacabal simboliza preocupação

O levantamento ganha ainda mais relevância diante de casos que mobilizaram o Maranhão nos últimos meses. Entre eles está o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, ocorrido em Bacabal.

As crianças desapareceram há mais de seis meses e, apesar das buscas realizadas por equipes das forças de segurança, Corpo de Bombeiros e voluntários, o caso segue sem uma conclusão definitiva. O episódio se tornou um dos mais emblemáticos do estado e evidencia os desafios enfrentados pelas autoridades na elucidação desse tipo de ocorrência.

Brasil também registra aumento

Em todo o país, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que 84.269 pessoas desapareceram em 2025, número 3,6% superior ao registrado no ano anterior.

O levantamento considera registros de desaparecimentos por diferentes motivos, incluindo conflitos familiares, problemas de saúde mental, fugas voluntárias, acidentes e situações relacionadas à violência. Nem todos os casos têm origem criminosa, mas todos exigem investigação e acompanhamento das autoridades competentes.

Registro deve ser imediato

Ao contrário do que muitas pessoas ainda acreditam, não é necessário esperar 24 horas para comunicar o desaparecimento de alguém.

Desde a entrada em vigor da Lei Federal nº 13.812/2019, o boletim de ocorrência pode ser registrado imediatamente após a constatação do desaparecimento. A legislação determina que a busca pela pessoa desaparecida seja iniciada sem demora, especialmente quando envolve crianças e adolescentes, aumentando as chances de localização nas primeiras horas.

Especialistas destacam que a rapidez na comunicação às autoridades é um dos fatores mais importantes para o sucesso das investigações e das operações de busca.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e reúne informações oficiais enviadas pelos estados, servindo como um dos principais indicadores sobre a violência e a segurança pública no país.