O Tribunal do Júri de Imperatriz condenou, nesta segunda-feira (22), Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos, 8 meses e 7 dias de prisão pelo envenenamento de um ovo de Páscoa que resultou na morte de duas crianças e deixou a mãe delas em estado grave. O caso, ocorrido em abril de 2025, ganhou repercussão nacional pela crueldade do crime.

A condenação foi obtida pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA) durante julgamento realizado no Fórum de Imperatriz. Jordélia foi considerada responsável pelos homicídios de Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn, de 13 anos, além da tentativa de homicídio contra a mãe das vítimas, Mirian Lira.

Segundo a acusação, a ré enviou à família um ovo de Páscoa acompanhado de uma mensagem de teor afetivo para induzir o consumo espontâneo do produto. Embora o principal alvo da ação fosse Mirian Lira, os dois filhos também consumiram o chocolate envenenado.

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Crime planejado

As investigações apontaram que o ovo de Páscoa foi entregue à residência da família na noite de 16 de abril de 2025. Poucas horas após consumirem o produto, Mirian e os filhos passaram mal e precisaram ser levados às pressas para atendimento médico.

Luiz Fernando morreu no dia seguinte, em 17 de abril. Já Evelyn permaneceu internada por cinco dias, mas não resistiu às complicações provocadas pelo envenenamento e morreu em 22 de abril.

Mirian Lira também ingeriu o chocolate. Ela ficou internada em estado grave, chegou a ser intubada e permaneceu vários dias sob cuidados intensivos, mas conseguiu sobreviver.

Durante a investigação, a Polícia Civil reuniu provas que apontaram Jordélia Pereira Barbosa como autora do crime. A acusada foi presa em 17 de abril de 2025 e permanece detida desde então.

Júri reconheceu qualificadoras

A condenação foi sustentada pelo promotor de Justiça Tiago Quintanilha, titular da 8ª Promotoria de Justiça Criminal de Imperatriz, com auxílio da promotora Gabriele Gadelha.

O Ministério Público pediu o reconhecimento de homicídio quadruplamente qualificado contra as duas crianças e tentativa de homicídio triplamente qualificada contra Mirian Lira. Os jurados acolheram a tese apresentada pela acusação.

De acordo com o MPMA, o conjunto de provas demonstrou que o crime foi cometido de forma premeditada, com utilização de veneno e estratégia para que as vítimas consumissem o produto sem suspeitas.

Recursos da defesa

Antes da realização do julgamento, a defesa apresentou uma série de recursos tentando modificar o andamento do processo. Entre os pedidos estavam a anulação da decisão de pronúncia, a retirada do caso da competência do Tribunal do Júri e a reclassificação dos crimes atribuídos à acusada.

Após a análise dos recursos pelas instâncias competentes, o julgamento foi mantido e realizado nesta segunda-feira.

Família aguardava decisão

Ao longo do último ano, Mirian Lira concedeu entrevistas relatando a dor da perda dos filhos e a expectativa pelo julgamento da acusada.

Para familiares das vítimas, a condenação representa um passo importante na busca por justiça após um dos crimes que mais comoveram Imperatriz nos últimos anos.

O processo segue sob segredo de Justiça.