A Justiça do Maranhão concedeu liberdade provisória a Alynne Pinheiro Ribeiro Trindade, de 41 anos, investigada por suspeita de aplicar golpes envolvendo a venda de passagens aéreas e pacotes de viagens falsos. A mulher ficou 12 dias presa em São Luís e agora responderá ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

A decisão foi tomada pelo desembargador Raimundo Neres, que reconsiderou um pedido apresentado pela defesa da investigada.

De acordo com as investigações da Polícia Civil do Maranhão, o prejuízo causado às vítimas é estimado em quase R$ 200 mil. Pelo menos 13 pessoas foram identificadas como vítimas do suposto esquema.

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Passagens falsas eram produzidas com inteligência artificial

Segundo a investigação, Alynne utilizava ferramentas de inteligência artificial (IA) para produzir comprovantes falsos de passagens aéreas. Ela oferecia pacotes que prometiam viagens nacionais e internacionais durante um ano, mediante o pagamento de valores entre R$ 8 mil e R$ 10 mil.

A proposta apresentada aos clientes era de que, após o pagamento de um valor fixo, eles teriam direito a realizar diversas viagens ao longo de 12 meses, pagando apenas as taxas de embarque.

Entretanto, mesmo depois de receber os valores, as passagens não eram efetivamente emitidas.

Para justificar a impossibilidade de embarque, a investigada alegava problemas de overbooking — quando uma companhia aérea vende mais passagens do que a quantidade de assentos disponíveis — ou falhas nos sistemas das empresas.

Algumas vítimas, incluindo idosos, crianças e mulheres grávidas, chegaram a se deslocar até aeroportos, mas descobriram que não poderiam embarcar.

Experiência em companhia aérea era utilizada para conquistar confiança

O delegado Victor Machado informou que Alynne já havia trabalhado em uma companhia aérea e utilizava essa experiência profissional para transmitir credibilidade aos clientes.

Entre as pessoas que teriam sido prejudicadas estavam conhecidos da investigada e frequentadores da mesma igreja que ela.

Durante as apurações, a Polícia Civil também identificou pagamentos realizados em contas bancárias de terceiros. Segundo a investigação, essas pessoas eram convencidas a receber os valores sob o argumento de que estavam prestando um favor à suspeita.

A polícia também apura a possível participação de outra pessoa no esquema.

Defesa afirma que acusações serão esclarecidas

Em manifestação, a defesa de Alynne afirmou que ela sempre esteve à disposição da Justiça e das autoridades responsáveis pela investigação.

Os advogados também declararam que as acusações relacionadas à comercialização de passagens aéreas e pacotes de viagens serão esclarecidas durante o andamento do processo, com a apresentação das provas pertinentes.

Investigação continua

Inicialmente, a Polícia Civil havia identificado 11 vítimas. No decorrer das investigações, surgiram relatos de outras pessoas que também poderiam ter sido prejudicadas. Informações que embasaram a decisão judicial apontaram a possibilidade de pelo menos 30 vítimas desde 2024.

A Polícia Civil orienta que pessoas que suspeitem ter sido vítimas procurem a Delegacia de Defraudações para registrar ocorrência e apresentar documentos que possam contribuir com as investigações.

Apesar da concessão da liberdade provisória, Alynne continua respondendo às acusações e deverá cumprir as medidas cautelares determinadas pela Justiça. A decisão não representa absolvição nem encerra o processo.