O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), registrou em decisão que o tenente-coronel da Polícia Militar do Maranhão, Thiago Brasil Arruda, ligado ao vice-governador, já teve acesso aos autos da investigação que apura movimentações financeiras suspeitas envolvendo o vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT). O trecho da decisão contraria declaração do próprio vice, que afirmou não ter conhecimento do procedimento.

A manifestação ocorreu durante análise de habeas corpus apresentado pela defesa do policial militar. No despacho, o ministro apontou que o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) já havia autorizado acesso ao material investigativo, que tramita sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público.

Segundo a decisão, diferentes procedimentos foram reunidos em uma única investigação após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações consideradas atípicas nas contas do tenente-coronel, com transferências que também teriam beneficiado pessoas ligadas ao vice-governador.

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Os relatórios indicam que o policial militar movimentou cerca de R$ 9,6 milhões em período considerado incompatível com sua renda oficial. Parte dessas operações teria sido direcionada a contas relacionadas a Camarão, o que motivou o envio do caso ao TJ-MA por causa do foro por prerrogativa de função.

O caso também embasa pedido de afastamento cautelar do vice-governador, atualmente sob análise no tribunal. Em manifestações públicas, Felipe Camarão afirmou que não teve acesso à investigação e classificou as acusações como perseguição política, versão que diverge do registro feito pelo STJ na decisão mais recente.