A quebra de sigilo fiscal e bancário do vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), revelou movimentações consideradas "atípicas" pelo Ministério Público, incluindo a aquisição de aproximadamente R$ 4,7 milhões em imóveis na planta desde 2022. A investigação aponta possível descompasso entre o patrimônio declarado e os rendimentos do cargo público.

De acordo com a Procuradoria-Geral de Justiça do Maranhão, os dados obtidos após a quebra de sigilo indicam que contratos imobiliários registrados em nome do vice-governador somam R$ 4.777.130,99, valor que não teria sido informado de forma compatível nas declarações de Imposto de Renda.

O relatório também aponta que parte das transações foi realizada por meio de pagamentos fracionados e operações financeiras consideradas incomuns, o que levantou suspeitas de possível ocultação de patrimônio ou movimentação de recursos de origem não comprovada.

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Ainda segundo o Ministério Público, a quebra de sigilo bancário identificou ao menos 19 transferências relacionadas a empreendimentos imobiliários, totalizando mais de R$ 500 mil, destinadas a empresas do setor da construção civil, muitas delas estruturadas como Sociedades de Propósito Específico (SPEs).

Diante das informações, o procurador-geral de Justiça encaminhou pedido ao Tribunal de Justiça do Maranhão solicitando o afastamento cautelar do vice-governador, além da continuidade das investigações sobre possível prática de lavagem de dinheiro e irregularidades patrimoniais.

Em manifestação pública, Camarão afirmou que a investigação seria fruto de vazamento seletivo com motivação política, negando qualquer irregularidade e dizendo confiar no esclarecimento dos fatos durante o processo.