A movimentação de Erlânio Xavier para deixar o PDT e ingressar no União Brasil acontece em meio a um cenário de rearranjos políticos no Maranhão. Mais do que a escolha de uma nova legenda para exercer o mandato de deputado federal, a mudança ocorre depois de divergências durante a campanha eleitoral, quando o parlamentar adotou uma posição diferente daquela defendida pelo senador Weverton Rocha e por parte de seus aliados.

Erlânio já integrava o grupo político de Weverton e do governador Carlos Brandão aonde participou das articulações em torno da candidatura de Orleans Brandão, sobrinho do governador. Entretanto, no decorrer da campanha, direcionou apoio a Eduardo Braide (SPD), adversário de Orleans na disputa pelo Governo do Maranhão.

A decisão teve repercussão entre integrantes do grupo do senador Weverton Rocha, principal liderança do PDT no estado. Segundo informação de bastidor recebida pelo Jornal Imperatriz de uma pessoa ligada ao grupo do senador, o apoio a Braide provocou desconforto entre aliados. O episódio expôs uma divergência política justamente em um momento em que o grupo trabalhava para consolidar o projeto eleitoral de Orleans e a candidatura de Weverton ao Senado.

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Agora, meses depois da disputa, Erlânio se prepara para encerrar uma trajetória de mais de dez anos no PDT e ligações com Weverton. As conversas para ingressar no União Brasil avançaram com Pedro Lucas Fernandes, deputado federal e presidente estadual da legenda. A expectativa é que a mudança esteja concluída antes do início do mandato, em fevereiro de 2027.

A nova legenda oferece ao parlamentar uma estrutura política significativamente maior. Nas eleições de 2026, o União Brasil elegeu 46 deputados federais, enquanto o PDT conseguiu apenas seis cadeiras. A diferença de representação é um dos fatores que ajudam a compreender o interesse na mudança.

O PDT, que havia conquistado 17 vagas na Câmara dos Deputados em 2022, não conseguiu atingir a cláusula de desempenho neste ano. Mesmo com 127.715 votos, Erlânio foi eleito por uma legenda que não alcançou os requisitos necessários para manter o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão.

A cláusula de desempenho estabelece duas possibilidades para os partidos: alcançar pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados, com distribuição mínima de 1,5% em nove estados, ou eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos em nove unidades da Federação.

Embora o descumprimento da regra não interrompa os mandatos dos parlamentares eleitos, a perda de recursos partidários e de tempo de propaganda reduz a estrutura institucional da legenda. Uma bancada menor também pode dificultar a articulação política e a participação nas disputas por espaços dentro da Câmara.

Para Erlânio, o União Brasil representa a possibilidade de atuar em uma bancada mais numerosa, com maior capacidade de articulação nacional e interlocução com lideranças políticas. A filiação também o aproxima ainda mais da estrutura partidária comandada por Pedro Lucas no Maranhão.

A negociação, entretanto, não interessa somente ao deputado eleito. Pedro Lucas também amplia sua presença política ao incorporar ao União Brasil um parlamentar que recebeu mais de 127 mil votos e possui experiência administrativa e articulação política no estado.

O movimento fortalece a posição do presidente estadual da legenda e acrescenta mais um nome à sua base de atuação na Câmara Federal. Assim, a mudança pode representar ganhos políticos para os dois lados: Erlânio encontra uma estrutura partidária maior para iniciar o mandato, enquanto Pedro Lucas reforça seu grupo no Maranhão.

A saída do PDT também encerra um capítulo da relação partidária de Erlânio com Weverton Rocha. O desgaste provocado pelo apoio a Braide durante a campanha permanece como parte do contexto político dessa movimentação, embora não haja confirmação pública de que tenha sido o motivo determinante da decisão.

Com a negociação em andamento, Erlânio Xavier deve começar 2027 em uma nova legenda, deixando para trás mais de uma década de filiação ao PDT e iniciando uma nova etapa de sua atuação parlamentar pelo União Brasil.