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A pressão de setores empresariais contra o fim imediato da escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) encontrou eco na bancada do Maranhão em Brasília. Quatro deputados federais do estado assinaram uma emenda substitutiva que tenta esvaziar o impacto imediato da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/19). O texto alternativo adia a extinção total do modelo atual por uma década e embutiu um "pacote de bondades" para os empregadores.
Os parlamentares maranhenses que avalizaram o recuo foram: Josivaldo JP (União Brasil), Aluísio Mendes (Republicanos), Hildo Rocha (MDB) e Márcio Honaiser (Solidariedade). Ao todo, a proposta reuniu 176 assinaturas e reflete a forte articulação do Centrão e da oposição na Câmara dos Deputados.
Por que os deputados assinaram? Os argumentos de bastidores:
A adesão dos parlamentares do Maranhão — com destaque para Josivaldo JP, que possui forte base eleitoral no comércio da Região Tocantina e em Imperatriz — é justificada formalmente pela defesa da saúde financeira das empresas.
O bloco argumenta que:
- Risco de quebras: Setores do comércio, supermercados e farmácias locais alegam que não suportariam o custo de contratar novos funcionários para cobrir os dias de folga extras de forma imediata;
- Inflação regional: Parlamentares defendem que o custo da transição abrupta seria repassado diretamente para os preços dos produtos, pesando no bolso do consumidor maranhense;
- Demissões em massa: A narrativa defendida pela ala é de que, sem incentivos fiscais e tempo para adaptação, as micro e pequenas empresas optariam por cortar postos de trabalho atuais.
O "Preço" da Transição:
O que diz o texto crítico apoiado pelo quarteto é que apesar do discurso focado em salvar empregos, o texto da emenda articulada pelos deputados Sérgio Turra (PP-RS) e Tião Medeiros (PP-PR) recebeu duras críticas de sindicatos e movimentos trabalhistas. O projeto alternativo é visto como um retrocesso por desidratar direitos conquistados.
Veja os pontos mais polêmicos:
- Trabalhador espera até 2036: A redução da jornada para 40 horas semanais com dois dias de folga só passaria a valer integralmente daqui a 10 anos, com cortes de apenas alguns minutos por ano;
- Corte de 50% no FGTS: Durante todo o período de adaptação, o recolhimento mensal do FGTS pago pelos patrões seria cortado pela metade (de 8% para 4%), afetando diretamente o fundo de garantia do trabalhador;
- Jornadas de até 52 horas: A emenda abre uma brecha perigosa para que acordos individuais ou coletivos ampliem temporariamente a carga de trabalho semanal bem acima do teto constitucional permitido hoje.
- Perdão de impostos: Concede desoneração integral do INSS sobre a folha de pagamento patronal para novas contratações, transferindo o custo da transição para os cofres públicos.
Impasse adia votação em Brasília:
A articulação dessa emenda foi um dos estopins para o adiamento da leitura do relatório final na comissão especial da Câmara. O presidente do colegiado, Alencar Santana (PT-SP), cancelou a sessão após uma reunião de emergência na residência oficial do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), justamente pela falta de consenso em torno desse modelo de transição.
Com o cronograma travado pelo lobby empresarial, a nova previsão é de que o parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), seja apresentado formalmente na próxima segunda-feira, 25 de maio.
Enquanto a comissão tenta costurar um meio-termo, a postura dos deputados maranhenses já incendeia o debate político local, colocando o direito ao descanso e a produtividade econômica em lados opostos da balança.
Publicado por:
Willamy Figueira/Editor-chefe
Willamy nasceu em Imperatriz, tem 43 anos, é jornalista com DRT-MA 2298, publicitário e redator-chefe do Jornal Imperatriz.
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