O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que a fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi zerada no Maranhão. O anúncio, porém, ocorre em um cenário no qual mais de 54 mil processos ainda aguardam análise no estado e o tempo médio de espera chega a 45 dias.

Os dados foram apresentados pelo próprio ministro durante agenda no Maranhão e mostram que houve uma redução significativa no estoque de requerimentos do instituto ao longo deste ano.

Em janeiro, o Maranhão tinha 123.663 processos aguardando análise. Em agosto, o número havia caído para 54.403, uma redução superior a 50%.

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A expressão “fila zerada”, portanto, está relacionada à capacidade de atendimento do órgão e à redução do represamento de novos pedidos, e não significa que não existam processos aguardando uma decisão.

Mais de 54 mil processos ainda estão pendentes

Mesmo com a redução do estoque, 54.403 requerimentos permaneciam em análise ou aguardando processamento em agosto, segundo os números divulgados.

Para quem depende de um benefício previdenciário ou assistencial, a diferença entre reduzir a fila e eliminar a espera é significativa.

O tempo médio informado para a conclusão dos processos no Maranhão é de 45 dias.

Na prática, isso significa que o segurado ainda pode precisar aguardar semanas até receber uma resposta do INSS.

Perícia médica também tem demanda reprimida

Outro indicador apresentado durante a agenda do ministro foi o da espera por perícia médica.

Quase 10 mil pessoas ainda aguardam atendimento pericial no Maranhão.

Apesar disso, houve uma redução expressiva no tempo de espera. Em 2023, a média para realização de perícias chegava a 198 dias. Em agosto deste ano, o prazo médio informado pelo governo era de 17 dias.

A melhora é relevante, mas os números também mostram que a demanda continua existindo.

Governo considera mudança um avanço

Segundo o Ministério da Previdência, a redução da fila é resultado de medidas adotadas para aumentar a capacidade de análise do INSS e acelerar o atendimento dos segurados.

Entre as ações estão os mutirões, ampliação da capacidade de realização de perícias, utilização do sistema Atestmed e medidas para aumentar a produtividade dos servidores.

O governo também adotou mecanismos de incentivo para servidores que realizarem análises além das metas estabelecidas.

A estratégia é reduzir o estoque acumulado e evitar que novos pedidos voltem a formar uma fila extensa.

Contraste entre o anúncio e a realidade

A declaração de que a fila foi zerada precisa ser entendida dentro dos critérios utilizados pelo governo.

O Maranhão realmente apresentou uma forte redução no número de processos represados. O estoque caiu de mais de 123 mil requerimentos, em janeiro, para pouco mais de 54 mil em agosto.

Mas, ao mesmo tempo, os próprios números mostram que dezenas de milhares de processos continuam aguardando uma decisão.

Por isso, para o segurado que está esperando a concessão de um benefício, o problema ainda não desapareceu.

O desafio agora é transformar a redução estatística da fila em respostas mais rápidas para quem depende do INSS para garantir renda e acesso a benefícios previdenciários e assistenciais.

Espera ainda pesa para quem precisa do benefício

A demora na análise pode representar um problema especialmente grave para pessoas que dependem do benefício para despesas básicas.

No caso de benefícios como aposentadorias, pensões, auxílio por incapacidade e BPC, o tempo de espera pode significar semanas ou meses sem a renda esperada.

O cenário maranhense, portanto, apresenta dois lados: de um lado, uma redução expressiva do estoque e dos prazos; de outro, mais de 54 mil processos ainda pendentes e milhares de pessoas aguardando atendimento pericial.

A promessa de uma fila “zerada” agora terá de ser acompanhada pela evolução desses números nos próximos meses.