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A Polícia Federal colocou o senador Weverton Rocha (PDT), sob suspeita de tentar interferir na investigação do assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira, morto em agosto de 2022, em frente ao edifício Tech Office, na Avenida dos Holandeses, em São Luís.
A suspeita aparece em documentos da investigação que foram tornados públicos nesta sexta-feira (14), pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso envolve também uma apuração sobre possíveis tentativas de interferência no andamento de processos relacionados ao homicídio.
Segundo a PF, a análise do celular de Weverton revelou uma relação considerada próxima entre o senador e o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que era responsável por um processo envolvendo Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado pela morte de João Bosco.
A corporação identificou mensagens, ligações, áudios e contatos entre os dois. Para os investigadores, o conteúdo indicaria que a relação entre o parlamentar e o magistrado teria ultrapassado uma interação exclusivamente institucional.
Transferência do preso entrou no radar da PF
Um dos episódios analisados pela investigação ocorreu em junho de 2025, quando Humberto Martins determinou a transferência de Gilbson Cutrim da Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, para uma unidade prisional em Brasília.
A PF avalia que a sequência de contatos entre Weverton e o ministro e os acontecimentos relacionados ao processo merecem investigação para esclarecer se houve tentativa de influência sobre decisões judiciais.
Os investigadores levantaram a hipótese de que a possível atuação do senador estaria relacionada ao interesse em questões envolvendo o processo de Gilbson, já que o condenado teria informações sobre circunstâncias que cercam o assassinato de João Bosco e outras pessoas citadas na investigação.
O que a PF investiga
O caso Tech Office deixou de ser tratado apenas como um homicídio após o surgimento de elementos que levaram a Polícia Federal a investigar uma possível conexão entre o crime e uma suposta cobrança de propina envolvendo Daniel Brandão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão e sobrinho do governador Carlos Brandão.
A investigação também apura possíveis tentativas de impedir que informações sobre o caso fossem reveladas. Um dos pontos levantados pela PF envolve o suposto pagamento de R$ 160 mil à família de Gilbson, que, segundo os investigadores, poderia estar relacionado a uma tentativa de evitar uma eventual colaboração do condenado.
Flávio Dino assumiu a relatoria do caso no STF e, ao analisar o material, apontou suspeitas de interferência na apuração e determinou a adoção de medidas para preservar a investigação.
Weverton nega interferência
Weverton Rocha nega ter interferido na investigação e contesta a interpretação dada aos seus contatos com o ministro do STJ.
Nesta sexta-feira, ao comentar o caso, o senador também questionou a atuação de Flávio Dino na relatoria e afirmou esperar que o ministro avalie se deve permanecer à frente do processo.
O ministro Humberto Martins, por meio de seu gabinete, informou que não comentaria o conteúdo da investigação por se tratar de matéria relacionada a processo que tramitava sob sigilo.
É importante destacar que estar sob suspeita ou ser alvo de investigação não significa culpa. A PF ainda busca esclarecer se os contatos identificados tiveram alguma relação concreta com uma tentativa de interferência no processo e se houve prática de crime.
O caso agora está sob responsabilidade do STF e pode ampliar ainda mais a investigação sobre os bastidores do assassinato ocorrido no Tech Office e suas possíveis conexões com disputas políticas e denúncias de corrupção no Maranhão.
Publicado por:
Willamy Figueira/Editor-chefe
Willamy nasceu em Imperatriz, tem 43 anos, é jornalista com DRT-MA 2298, publicitário e redator-chefe do Jornal Imperatriz.
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