Um vazamento de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), do Grupo de Atuação Especial de Combate Às Organizações Criminosas (GAECO), de 11 pessoas, entre elas, o prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (União Brasil), mostra uma série de ocorrências dos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, peculato e corrupção nas secretarias de Infraestrutura e Limpeza Pública, entre os anos de 2018/2019 e 2020.

No documento com 159 páginas, verificada e checada a autenticidade pelo Jornal Imperatriz - VEJA AQUI - tem trechos de conversas em áudio e texto extraídos dos celulares apreendidos na Operação Impacto do Gaeco, ocorrido em março deste ano que culminou com uma prisão e 17 mandatos de busca e apreensão em duas secretarias do governo Assis Ramos e da empresa de Lixo Sellix no Rio de Janeiro e Tocantins.

Em um dos áudios extraídos pelo Gaeco, de um dos representantes da empresa de lixo, Alexander Vieira (Sandro), na data de 16 de outubro de 2020, da chegada de um avião particular com a quantia estimada em R$ 2 milhões para o prefeito Assis Ramos, aponta o Gaeco.

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Veja trechos da conversa

Sandro - Eu vou falar pra você, como sempre fui claro contigo agora mais claro ainda, eles não vão pagar, entendeu? Eles não vão pagar, porque eles já sentiram que o prefeito pode não ganhar a eleição, domingo eles vão chegar aqui de avião particular para trazer dinheiro para o prefeito já estou sabendo disso, entendeu? Não vão botar tudo que o prefeito pediu, o prefeito pediu "dois conto", vão botar só uma parte, entendeu?

No outro trecho da conversa, Sandro fala a respeito da possibilidade do prefeito Assis Ramos não ganhar as eleições e com isso, a empresa poderia não receber mais o dinheiro da prestação dos serviços, inclusive da possibilidade de calote que os servidores teriam em não ser mais repassado os salários de novembro e dezembro.

Sandro - Porque eles estão com medo do prefeito não ganhar e eles gastarem o dinheiro, vela em defunto ruim, sabe qual é? Então eles pegaram todo o dinheiro que eles receberam na sexta-feira passada aí vão trazer pro prefeito, aí como eles viram que o prefeito está mal nas pesquisas, né, tá mal nas ruas, entendeu? Aí eles estão achando que o prefeito não vai ganhar, então eles não vão botar o dinheiro todo, "então eles não vão pagar fornecedor mais nenhum, só alguns para se manter, porque mês que vem vão receber de novo e não passar nada, aí se não ganharem eles vão sai devendo todo mundo, inclusive aos funcionários", a história é essa meu irmão.

Para o Gaeco e a Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), não há dúvidas sobre crimes praticados e que foram ventilados também possíveis crimes eleitorais. Diante desse vasto material em posse da PGJ, foi que culminou no pedido de prisão e afastamento do cargo de Assis Ramos.

Prisão

Segundo uma fonte sigilosa do Jornal Imperatriz, nas próximas semanas, o Gaeco irá cumprir 9 mandatos de prisão e apreensão, em cumprimento da segunda etapa da Operação Impacto, que apura corrupção em contratos e fraúdes em licitação em mais de R$ 58 milhões.