O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), elevou o tom contra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal que atingem integrantes de seu grupo político. Em nota divulgada nesta sexta-feira (14), a assessoria do governador classificou a atuação de Dino no caso como uma possível perseguição de natureza política.

A principal contestação apresentada por Brandão diz respeito à competência do STF. Segundo a manifestação do governo maranhense, processos envolvendo governadores deveriam tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), respeitando o foro correspondente a cada autoridade investigada. A equipe de Brandão também defendeu que eventuais autoridades citadas sejam encaminhadas às instâncias competentes.

O governador afirma não temer as investigações, mas sustenta que Dino deveria ser impedido de atuar no caso por ser, segundo ele, adversário político de seu grupo. Brandão e Dino foram aliados nas eleições de 2018 e 2022, mas romperam politicamente após a divisão do grupo em 2024.

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Críticas à quebra de sigilo

Outro ponto levantado pela assessoria de Brandão foi a decisão de retirar o sigilo de informações relacionadas às investigações. O governo estadual questionou a medida e fez uma comparação com a discussão envolvendo o jornalista Luís Pablo, cujo caso também passou a ser alvo de decisões no STF.

A nota ainda questiona a condução do inquérito relacionado ao caso Tech Office. Segundo o posicionamento de Brandão, a investigação concentra-se em fatos ocorridos a partir de 2022, ano do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, mas não teria considerado a reabertura, em 2019, de um processo administrativo de pagamento que estava arquivado desde 2014.

A assessoria afirma que esse processo foi reaberto na Secretaria de Estado da Educação durante o período em que Felipe Camarão comandava a pasta e Flávio Dino era governador do Maranhão. O governo sustenta que essa circunstância deveria ser considerada na apuração.

Embate chega ao cenário eleitoral

A manifestação também resgata o rompimento político entre os antigos aliados. O grupo ligado a Flávio Dino é apontado por Brandão como adversário político nas eleições de 2026.

A assessoria cita ainda o apoio público dado por Dino a Felipe Camarão em 2025 como um dos elementos que, na avaliação do governador, reforçam o conflito político entre os dois grupos.

O posicionamento ocorre justamente em um momento de forte tensão política no Maranhão, após novas informações tornadas públicas sobre investigações da Polícia Federal que envolvem políticos, empresários e outras autoridades. Entre os episódios apurados está o caso relacionado ao assassinato de João Bosco Sobrinho, além de suspeitas de corrupção e obstrução das investigações.

A ofensiva de Brandão transforma o caso policial em mais um capítulo da disputa política maranhense. De um lado, o governador questiona a imparcialidade de Dino e a competência do STF; de outro, as investigações seguem sob responsabilidade da Corte e da Polícia Federal, sem que as acusações investigadas representem, por si só, condenação dos envolvidos.

O embate deve ganhar ainda mais peso com a proximidade das eleições de 2026, especialmente porque os principais grupos políticos do estado estão cada vez mais divididos entre o campo de Brandão e os aliados de Flávio Dino.