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A distribuição de recursos do Fundo Eleitoral pelo PL no Maranhão começa a levantar questionamentos sobre a estratégia adotada pelo partido para a eleição de 2026. Um dos casos que chama atenção é o de Luciano Galego, candidato a deputado federal pelo partido em 2026.
Segundo dados da prestação de contas eleitoral, Luciano recebeu R$ 1,5 milhão da direção nacional do PL e outros R$ 450 mil do diretório estadual da legenda no Maranhão. Somados, os repasses partidários chegam a R$ 1,95 milhão. Com as doações de pessoas físicas, a arrecadação declarada alcançava aproximadamente R$ 1,97 milhão.
O valor chama ainda mais atenção quando colocado lado a lado com o desempenho eleitoral anterior do candidato.
Em 2022, Luciano Galego disputou uma vaga de deputado federal pelo PL e recebeu 20.643 votos. Ele não foi eleito e terminou como terceiro suplente do partido, atrás de Silvio Antonio e Paulo Marinho Jr.
Naquele pleito, o PL elegeu quatro deputados federais no Maranhão. O último dos eleitos pela legenda obteve 69.530 votos, enquanto Luciano recebeu menos de um terço desse número.
Quase R$ 2 milhões para uma candidatura que ainda não venceu uma eleição
Os dados tornam Luciano Galego um exemplo de uma questão maior que começa a aparecer na campanha de 2026: quanto o PL está investindo em candidatos com histórico eleitoral limitado e qual é o objetivo desses repasses?
Desde 2022, Luciano disputou apenas uma eleição para deputado federal e não conseguiu se eleger. Sua maior votação foi justamente os 20.643 votos obtidos naquele ano.
Agora, quatro anos depois, a candidatura recebeu praticamente R$ 2 milhões em recursos partidários.
O contraste é significativo: em 2022, a campanha declarou cerca de R$ 281,6 mil em recursos, segundo os dados eleitorais compilados a partir do DivulgaCandContas. Em 2026, o volume de recursos partidários declarados já é várias vezes superior.
O dinheiro vem quase todo do próprio partido
Outro dado chama atenção na prestação de contas: 99% dos recursos arrecadados por Luciano Galego têm origem partidária.
Dos aproximadamente R$ 1,97 milhão declarados, R$ 1,95 milhão vieram das direções nacional e estadual do PL. As contribuições de pessoas físicas somavam apenas R$ 16,3 mil.
A direção nacional do partido foi responsável pela maior transferência individual: R$ 1,5 milhão, depositados em agosto. Em setembro, o diretório estadual acrescentou outros R$ 450 mil.
A estratégia por trás das chamadas “candidaturas de composição”
A distribuição do Fundo Eleitoral não é determinada apenas pelo desempenho anterior de cada candidato. Os partidos possuem autonomia para definir a estratégia de aplicação dos recursos, observadas as regras eleitorais e as exigências legais de distribuição.
Por isso, receber uma quantia elevada de recursos públicos não significa, por si só, que exista irregularidade ou que a candidatura seja fictícia.
Mas o volume de dinheiro aplicado em candidaturas com desempenho eleitoral anterior modesto abre espaço para uma pergunta legítima: qual é a estratégia do PL ao financiar determinados nomes com valores tão elevados?
Essa discussão ganha importância porque o partido possui uma grande quantidade de candidatos disputando vagas proporcionais e precisa distribuir seus recursos entre diferentes projetos eleitorais.
O caso de Luciano
Luciano Galego é natural de Imperatriz e disputa novamente uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PL, utilizando o número 2212. Para 2026, o teto de gastos estabelecido para uma candidatura a deputado federal no Maranhão é de aproximadamente R$ 3,18 milhões.
Com os R$ 1,95 milhão recebidos das estruturas partidárias, Luciano já dispõe de uma quantia equivalente a cerca de 61% do limite máximo de gastos permitido para sua candidatura.
O dado coloca a campanha entre aquelas que receberam uma parcela expressiva dos recursos disponíveis para a disputa.
E a pergunta que fica
O debate sobre as chamadas “candidaturas buchas” — expressão usada no meio político para designar candidaturas que, na avaliação de adversários ou observadores, teriam pouca possibilidade de eleição e poderiam cumprir funções dentro da estratégia partidária — precisa ser feito com cuidado.
No caso de Luciano Galego, não há nos dados apresentados evidência suficiente para afirmar que sua candidatura seja fictícia ou tenha sido criada apenas para cumprir uma função eleitoral interna.
O que existe, objetivamente, é uma combinação que chama atenção: 20.643 votos na eleição de 2022, ausência de mandato eletivo conquistado naquela disputa e quase R$ 2 milhões em recursos partidários destinados à campanha de 2026.
É justamente essa diferença entre o desempenho eleitoral anterior e o volume de dinheiro agora destinado à candidatura que merece ser acompanhada pelo eleitor e pela imprensa.
E Luciano Galego não é necessariamente um caso isolado. A distribuição dos recursos do PL entre os candidatos a deputado federal no Maranhão permite uma análise mais ampla sobre quem recebeu dinheiro, quanto recebeu, qual foi a votação anterior e quais candidatos estão efetivamente sendo priorizados pela direção partidária.
Essa comparação pode revelar muito mais sobre a estratégia eleitoral do partido do que simplesmente observar os nomes que aparecem no material de campanha.
Publicado por:
Willamy Figueira/Editor-chefe
Willamy nasceu em Imperatriz, tem 43 anos, é jornalista com DRT-MA 2298, publicitário e redator-chefe do Jornal Imperatriz.
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